Uma testemunha é ouvida como informante e outra é dispensada em audiência sobre desvio de R$ 2 milhões da Diocese de Formosa

Postado em 14/set/2018


Sessões devem ouvir outras 30 testemunhas além dos 11 denunciados. Fórum de Formosa, Goiás
Vitor Santana/G1
Nova audiência de instrução que apura o desvio de cerca de R$ 2 milhões da Diocese de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, ouviu uma testemunha nesta quinta-feira (13). Segundo termo de audiência, outra testemunha que seria ouvida foi dispensada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Ainda é preciso ouvir cerca de 30 testemunhas, além dos 11 denunciados.
Conforme o termo de audiência, o juiz que presidiu a sessão considerou que a testemunha Vilton Pires, por ser advogado e ter pedido a investigação dos religiosos junto com outros fiéis, tinha “interesse” no caso. Portanto, considerou o depoimento dele como informante e não como testemunha, ou seja, ele não está submetido às consequências de “falso testemunho”.
O advogado Thiago Padua, que representa o padre Tiago Wenceslau, um dos denunciados, afirmou, por meio de nota, que “o próprio juiz desconfiou de sua credibilidade” e que o depoimento dele “não tem credibilidade em juízo”.
Já o promotor Douglas Chegury, autor da denúncia, disse que “as informações que ele prestou, desde que harmônicas com as demais provas do processo, podem perfeitamente ser utilizadas no convencimento do juiz”. Ainda de acordo com o promotor, o informante foi ouvido por cerca de cinco horas na audiência.
Igreja de Formosa, Goiás
Vitor Santana/G1
A outra testemunha agendada para prestar depoimento era o padre Derci Neres da Rocha, também da acusação. O termo de audiência informa que o MP-GO dispensou a oitiva dele. O juiz também afirmou que “dada a existência de apenas parte da oitiva [na fase de investigação] parece certo pensar da impossibilidade de utilização desta prova”.
O promotor explicou que houve uma queda de energia durante a gravação da oitiva e, por isso, não foi possível tê-la por completo nos autos do processo.
Outra audiência do caso, realizada na última segunda-feira (10), ouviu mais duas testemunhas. Elas relataram que houve um significativo aumento nos gastos por parte do bispo da cidade, José Ronaldo. A próxima sessão está marcada para o dia 11 de outubro.
Investigação
Investigações do Ministério Público feitas a partir de denúncias de fiéis apontaram que acusados – o grupo tem ainda dois empresários e três funcionários da Cúria – usaram o dinheiro para comprar uma fazenda de gado, uma casa lotérica e carros de luxo. O bispo e os padres sempre negaram a prática de crimes.
A apuração culminou com a Operação Caifás, em 19 de março. Nove pessoas foram presas na ocasião:
1. José Ronaldo Ribeiro, bispo de Formosa
2. Monsenhor Epitácio Cardozo Pereira, vigário-geral da Diocese de Formosa
3. Padre Moacyr Santana, pároco da Catedral Nossa Senhora Imaculada Conceição, Formosa
4. Padre Mário Vieira de Brito, pároco da Paróquia São José Operário, Formosa
5. Padre Tiago Wenceslau, juiz eclesiástico
6. Padre Waldoson José de Melo, pároco da Paróquia Sagrada Família, Posse (GO)
7. Guilherme Frederico Magalhães, secretário da Cúria de Formosa
8. Antônio Rubens Ferreira, empresário suspeito de ser laranja da quadrilha
9. Pedro Henrique Costa Augusto, empresário, suspeito de ser laranja da quadrilha
Já Darcivan da Conceição Sarracena e Edimundo da Silva Borges Júnior não chegaram a ser presos, mas foram denunciados pelo MP por envolvimento no esquema.
O grupo conseguiu habeas corpus quase um mês depois, e nenhum dos padres voltou a exercer as funções anteriores. Atualmente, a diocese de Formosa tem um “interventor”, nomeado pelo Papa Francisco: o arcebispo de Uberaba (MG), Dom Paulo Mendes Peixoto.
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Source: Notícias principais g1

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